sábado, 19 de junho de 2010
Aos leitores:
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Elegia
Asa de vento: Amor
Me desalinha, fera implacável.
Falavas de modo doce e suave –
Palavras sem certeza, que se diz ao entardecer:
Ou então o silêncio, que tudo diz.
Ou então o sorriso, que nada diz.
Sorriso sem tristeza, que se realiza sem esperar:
Sorrias de modo terno e gentil –
Ao entardecer, e sem esperar –
Também o abraço que me enlaçava:
Até menos o corpo, do que o coração.
Na aurora dos dias, onde tudo era primeiro.
Nos dias longínquos, longos dias –
Sentia mais o coração, sentia forte a alma:
Sem nada dizer, rendia-me
Sem perceber, perdia-te
Nos abraços e no cuidado, sem esperar:
Sorrias de modo terno e gentil –
No ocaso destes dias, onde tudo é antigo
Já não sou livre no modo como falas
A não mais observar o teu sorriso:
Sem esperar, e ao entardecer –
Melancólico e triste –
O amor é também um canto solitário
Que nada sabe dizer, senão confiar
Que nada sabe fazer, senão esperar
Como agora: indefinidamente perdido
Indefinidamente rendido.
domingo, 18 de abril de 2010
Poema do passarinho!
(Para meus alunos, deixo também o texto original em latim, nessa língua estranha que poucos ainda estudam... Para os mais curiosos, após a tradução faço algumas considerações filológicas sobre o texto!)
***
[Carmen II]
Passer, deliciae meae puellae,
quicum ludere, quem in sinu tenere,
acris solet incitare morsus,
cum desiderio meo nitenti
carum nescio quid lubet iocari
et solaciolum sui doloris,
tecum ludere sicut ipsa possem
et tristis animi levare curas!
***
O passarinho, delicias da minha menina
E oferecer a ponta dos dedinhos
E incitar dentadas maldosas,
Quando apraz ao meu vigoroso desejo
Jogar um não-sei-o-quê prazeroso
E trazer um pequeno alívio à sua dor
Creio, então, que seu forte ardor se aquieta.
Ah!, se eu pudesse assim brincar como esse
Passarinho, e então aplacar os desassossegos
Da minha alma triste!
***

terça-feira, 23 de março de 2010
Poeminha pobre
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Além da linguagem
Mas o coração humano é imprevisível. Não convive com centralidades, não tolera imperativos racionais. Humanus sum, nihil humani a me alienum puto! Reconheço a minha humanidade, convivo com ela. Aceito-a. Tolero-a até o limite do insuportável, para então, ressurgir outro, sempre o mesmo e sempre outro. Variável e mutável, extremamente monotônico e regular, mas, sobretudo, caótico.
Acaso existe, pergunta o meu coração, sentido no que é sentido?
A despeito do que é e daquilo que não é, a despeito da consciência ou da inconsistência, sigo flanando pelos horizontes e as palavras transformo, ressignifico dentro de mim.
Assim, penso até que aquelas podem ser outras, as palavras. Não mesmo os atos, pois estes estão indelevelmente assinalados na experiência. Mas as palavras não. Podem ser neutralizadas, a ponto de, após o silêncio, renascer, aos poucos, o sentimento e, com este, uma incontrolável vontade de falar. Será que seremos ouvidos?
Perscruto meu coração, para sentir o que me diz. Nada ouço, apenas o marulhar infinito das ondas de um oceano desconhecido. Mundo, mundo, vasto mundo!
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Em ordem
apreciam o sol entrar
e seus afagos cotidianos
mas estou arrumando a casa.
Retratos na parede
sorrisos de ontem em silêncio
das memórias e paisagens
mas estou arrumando a casa.
Papeis sobre a poltrona
anotações ligeiras de antes
contas e sonhos no papel
mas estou arrumando a casa.
Almofadas amarelas
tecido em abraços apertados
nas frias e quentes noites
mas estou arrumando a casa.
Do que tudo era e não será
das remanescentes horas de sempre
de cada dia e todo momento
agora estou arrumando a casa.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Une petite journée
Then the bird said,"Nevermore."
Back home, along the street
There is no fear to feel
There is nobody here to heal.
Close my eyes, save my face
Shallowness is the name
For empty heart, dry eyes
Lonely flight, no sighs.
Sticking to reason
Forgetting the bonds
Never will be the same
I know to seek my fate.
And then, what is to come?
Life thy name is solitude
I cross calmly the gates
Open the door, nobody waits.
